A humanista, muito além de simples médica, Nise da Silveira, achava que o doente não devia ser visto como doente, mas como pessoa. Nise estava légua acima dos jargões da psiquiatria. Os seus clientes eram sempre chamados pelo nome para dar-lhe dignidade, cidadania: Raphael, Emygdio, Diniz, Otávio, José Bastos, Sacramento, Jair, Leia, Paulo, Francisco Noronha, Darcílio, Carlinhos, Isaac, Adelina, Eunice, Glorinha e tantos outros frequentadores das atividades expressivas/criadoras, seja no Museu de Imagens do Inconsciente ou na Casa das Palmeiras, ou onde quer que seja. Dra. Nise fazia questão de pronunciar o nome de cada um com clareza e profundo respeito. E mesmo ao visitar os ateliês, dirigia-se a eles sempre com postura de valor à pessoa humana, com particular e delicada atenção. Sempre refinada e acolhedora em especial para com as pessoas dilaceradas em sua estrutura psíquica e emocional. Constatava doenças ou graves problemas, mas jamais diagnosticava as pessoas categoricamen...