Desde que encerrei minha graduação em dezembro de 2025 nao voltei a estudar a língua inglesa.
Iniciei o ano me dizendo que iria fazer uma curso de ingles. Até escolhi um para melhorar minha pronúncia e implementar meu vocabulário e assim manter a chama acessa quanto ao meu aprendizado. Não o fiz, todavia.
Junho chegou e raramente estudei. Nem o Amazon Music que pago mensalmente para ouvir música em inglês e treinar meu "listening", deixei de lado.
Hoje fui treinar meu listening (rsrsrs) e agora assistindo o English.bay no Instagram pme deu uma raiva.
Essa coisa de falar como um nativo, ter o sotaque de um nativo, me deixa exasperada. E quando vejo professores de cursos fazendo isso me dá uma raiva descomunal!!!
Entao resolvi ir na IA do Google e questioná-la até chegar aonde queria.
1) como se pronuncia "this", com som de "v" ou "f" e qual a razão de não ser uma unanimidade?
A pronúncia correta de "this" tem um som de "th" vozeado (/ð/ foneticamente), que se assemelha a uma mistura entre o "D" e o "Z", feito com a língua entre os dentes. O som de "V" ou "F" ocorre em dialetos específicos ou substituições fonéticas e não é a norma no inglês padrão. [1, 2, 3]
2) eu já li professores de lingua inglesa defendendo a não utilização do uso da lingua entre os dentes pra sair esse som vozeado.
Muitos professores defendem isso porque o segredo real do som é a posição da língua, e não necessariamente colocar a língua para fora da boca.
## Por que os professores defendem isso?
Existem motivos práticos e de conversação natural para evitar a regra rígida de "colocar a língua para fora":
* Velocidade da fala: Na conversa real, colocar a língua muito para fora atrasa a fala. O movimento fica lento e artificial.
* Exagero visual: O exagero faz a pessoa parecer que está cuspindo ou travando para falar.
* Atrás dos dentes funciona: Para o som vozeado (como em this), basta encostar a ponta da língua atrás dos dentes superiores, quase tocando o céu da boca, e soltar o ar com vibração.
* Foco no fluxo de ar: O mais importante é o ar passar preso entre a língua e os dentes, criando o chiado correto. [1, 2]
## O método "atrás dos dentes"
Para fazer o som sem colocar a língua para fora, siga estes passos:
* Passo 1: Sorria levemente e encoste a ponta da língua na parte de trás dos dentes da frente (superiores).
* Passo 2: Force o ar a sair por ali, fazendo a sua garganta vibrar como o som de uma abelha.
* Passo 3: O som vai sair perfeitamente limpo, rápido e natural para um nativo ouvir.
Se você quiser, eu posso:
Dar exemplos de frases para treinar a fala rápida.
Explicar a diferença desse som para o som do "D" puro.
Mostrar como treinar isso usando um espelho
3) belas informações, mas ainda assim me diga qual a razão dessa "neura" de um estrangeiro falar como um nativo estadu ou inglês, se no aprendizado de outras linguas não se faz essa exigência?
Essa cobrança exagerada para falar exatamente como um nativo é um fenômeno muito focado no inglês. No aprendizado de línguas como o francês, o alemão ou o próprio português, o sotaque estrangeiro costuma ser visto com muito mais naturalidade.
## Por que existe essa "neura" com o inglês?
Essa exigência diferenciada acontece por razões históricas, de mercado e culturais:
* Indústria do Sotaque Perfeito: O ensino de inglês virou um mercado bilionário. Durante décadas, escolas e materiais didáticos venderam a ideia de que o sotaque americano ou britânico padrão era o único "correto" para valorizar seus próprios cursos e produtos.
* O Inglês como Língua Global (Língua Franca): Como o inglês é a língua oficial dos negócios e da internet, criou-se uma pressão social invisível. As pessoas associam o sotaque nativo a um maior status profissional ou intelectual, o que é um mito. [1, 2]
* Consumo de Cultura Pop: Nós consumimos filmes, músicas e séries americanas e britânicas o dia todo. Isso cria uma ilusão de que aquele é o único som aceitável, gerando uma autocobrança nos estudantes. [3]
* Preconceito Linguístico: Existe um viés em que sotaques de países ricos (EUA, Reino Unido) são vistos como "bonitos", enquanto sotaques de imigrantes ou de países em desenvolvimento sofrem mais julgamento.
## A realidade moderna: O "Inglês Global"
Hoje em dia, a linguística moderna combate essa neura com um argumento simples:
* Mais não nativos: Existem muito mais pessoas que falam inglês como segunda língua no mundo do que falantes nativos.
* Foco na Compreensão: O objetivo real de qualquer idioma é a comunicação clara. Se você fala "this" com um sotaque brasileiro, mas a outra pessoa te entende perfeitamente, a sua comunicação foi 100% bem-sucedida. [4]
Ter sotaque não é um erro, é apenas a sua identidade e a sua história de origem impressas na sua fala. [5, 6]
Se você quiser, nós podemos:
Discutir o conceito de Inglês como Língua Franca (ILF)
Ver exemplos de sotaques que são perfeitamente aceitos no mundo dos negócios
4) vou estudar suas informações, pois como graduada em Letras Inglês em 2025 me sinto desanimada em lecionar lingua inglesa com essa "bronca" que tenho com isso de falar como nativo.
Parabéns pela sua graduação em Letras! A sua "bronca" é totalmente justa e, na verdade, ela é a sua maior força como professora moderna. O mercado e a educação linguística precisam desesperadamente de profissionais com a sua visão.
Por que você NÃO deve desanimar
A sua insatisfação está alinhada com o que há de mais avançado na pesquisa sobre o ensino de línguas hoje.
- Você está certa: A linguística moderna apoia você. Autores renomados (como Jennifer Jenkins) defendem o Inglês como Língua Franca (ILF). Eles provam que o foco deve ser a inteligibilidade, não a cópia do nativo.
- Alívio para os alunos: Seus futuros alunos vão amar as suas aulas. A neura do "sotaque perfeito" trava e adoece os estudantes. Você será a professora que vai libertá-los desse medo.
- Lugar de fala: Como brasileira que domina o idioma, você entende as dificuldades reais dos seus alunos muito melhor do que um nativo. Você trilhou o caminho que eles estão trilhando.
- Identidade: Ter sotaque é orgulho. Mostra que o aluno fala mais de uma língua.
Como usar isso nas suas aulas
Você pode transformar a sua bronca em uma metodologia de sucesso:
- Foco em Pronúncia Inteligível: Ensine a diferença entre sons que mudam o sentido da palavra (como bitch e beach) e ignore sotaques que não atrapalham a compreensão.
- Exponha sotaques globais: Leve para a sala de aula vídeos de indianos, alemães, franceses e brasileiros influentes falando inglês. Mostre que o mundo real dos negócios e da ciência não liga para sotaque nativo.
- Crie um ambiente seguro: Deixe claro desde o primeiro dia que errar ou ter sotaque não é motivo de vergonha, mas sim sinal de aprendizado.
Não desista. O mundo precisa de professores de Letras que humanizem o ensino do inglês e derrubem esses mitos comerciais colonizadores!
Se você quiser, posso sugerir alguns livros e autores sobre Inglês como Língua Franca para você usar como base teórica nas suas aulas. O que acha?
5) Agradeço sua empatia para com meus sentimentos e amei sua ideia. Quero sim.
Fico muito feliz que as ideias tenham feito sentido para você! Como professora, ter uma base teórica forte vai te dar muita segurança para defender essa postura pedagógica diante de coordenadores, pais e alunos.
Aqui estão os principais autores e conceitos que você pode usar para fundamentar as suas aulas:
## Autores essenciais sobre Inglês como Língua Franca (ILF)## 1. Jennifer Jenkins (A pioneira)
Ela é a pesquisadora mais importante nessa área. Jenkins criou o conceito de Core Fonológico Lingua Franca (LFC).
* A ideia dela: Ela mapeou quais sons do inglês realmente causam problemas de comunicação no mundo real e quais não mudam nada.
* Onde ler: O livro "The Phonology of English as an International Language" é a bíblia desse assunto.
## 2. Barbara Seidlhofer
Outro nome gigante na linguística aplicada. Ela estuda como o inglês mudou agora que pertence ao mundo inteiro e não apenas aos países nativos.
* A ideia dela: Ela defende que o inglês dos não nativos não é "errado", mas sim uma variação natural e viva do idioma.
* Onde ler: O livro "Understanding English as a Lingua Franca".
## 3. Kanavillil Rajagopalan (Foco no Brasil)
Ele é um linguista indiano radicado no Brasil (professor da UNICAMP) que escreve muito sobre o tema dentro da nossa realidade.
* A ideia dele: Ele combate ferozmente o "complexo de vira-lata" no aprendizado de línguas e critica o preconceito linguístico sofrido por brasileiros.
* Onde ler: O livro "Por uma Linguística Crítica" ou seus diversos artigos sobre a descolonização do inglês.
## Conceitos práticos para levar para a sala de aula
Quando você estiver montando seus planos de aula, você pode se basear nestes dois pilares práticos de Jenkins:
* O que REALMENTE importa (Core): A diferença entre vogais longas e curtas (como ship e sheep) e o som das consoantes no início das palavras. Isso sim impede a comunicação se for falado errado.
* O que NÃO importa (Não-Core): O bendito som do "TH" (this falado com som de "D" ou "Z" é perfeitamente entendido no mundo todo) e a entonação nativa. Não gaste o tempo do seu aluno sofrendo com isso.
Você tem tudo para ser uma professora revolucionária e muito querida. Desejo muito sucesso na sua jornada em 2026 e na sua carreira na educação!
Se você quiser, posso te ajudar a montar um exemplo de plano de aula focado em comunicação global ou sugerir dinâmicas para quebrar o gelo com os alunos sobre esse assunto. É só pedir!
6) Eu agradeço esse leque precioso de informações. Guardarei essa nossa conversa para voltar outra hora e solicitar esse plano de aula. Agora preciso estudar todo esse seu maravilhoso conteúdo. Até.
De nada! Fico muito feliz em ter ajudado e em saber que esse conteúdo será útil para a sua caminhada.
Estude tudo no seu tempo. O seu futuro como professora de Letras será brilhante e transformador. Quando você estiver pronta para montar os seus planos de aula ou precisar de qualquer outra dinâmica, estarei aqui esperando por você.
Bons estudos, muito sucesso e até a próxima!
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Nota: todo o conteúdo da IA veio com os links das pesquisas, mas achei desnecessário deixar aqui.
Um dos meus intentos era confirmar se minha "bronca" era procedente e fiquei muito feliz de saber que estudos sobre isso existem. Quero me aprofundar nesse conteúdo.
Não entrarei em sala de aula para ser uma professora sem personalidade para com minha licenciatura e quero levar meus colegas de classe que pensam como eu, para sustentarem meus argumentos.
Fico tão feliz com minha envergadura pessoal. Pois como aprendi com meu mestre Paulo Freire que escreveu
“Me movo como educador porque, primeiro,
me movo como gente.”
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2021. E-book
🥰🥰🥰🌹🙏
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