~Se isto não significa que após pensar, ou enquanto penso, eu deva automaticamente escrever, isto significa, porém, que ao pensar guardo em meu corpo consciente e falante, a possibilidade de escrever da mesma forma que, ao escrever, continuo a pensar e a repensar o pensando-se como o já pensado.~
Freire, Paulo. Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Editora Olho d'Agua, 1a. edição, 1993.
(quando li esse trecho, me vi totalmente aqui)
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Sobre o tema do meu TCC cultivei, por alguns desses semestres anteriores, escrever sobre a linguagem neutra.
Pesquisei, li umas entrevista e guardei no meu gmail links para quando a hora de colocar as "mãos na massa".
No entanto, desde o penúltimo semestre titubei e não me senti convicta para defender algo que ja esmaecia em mim.
A viabilidade da linguagem neutra e meus argumentos a seu favor não encontrava mais ressonância no meu ser.
Não tentarei explicar pois esse não é o tema da minha postagem hoje.
Fiquei sem tema. Justo agora quando não tenho como fugir disso e ainda quando dependo para finalizar minha graduação.
Fiquei desnorteada e desanimada.
Um mês atrás aproximadamente e através da Internet, recebi notificação do Amazon do livro "Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar" de Paulo Freire. Temática repleta de ressonancias.
Presenciei boa parte da vida escolar do meu filho, numa escola privada, esse hábito dos alunos nomearam suas professoras.Tia pra lá, tia pra cá. E eu ajudando a alimentar isso.
Na época não me incomodava pois não tinha elementos intelectuais para que isso me dissesse alguma coisa.
No ano passado, por conta do meu primeiro estágio e na educação infantil, o som do "tia" foi uma canção ininterrupta e continuei confortável. Inclusive, achando o tratamento muito amoroso.
Ainda não tinha maturidade docente que me despertasse para o inconveniente da situação e suas possibilidades de interferência na vida do aluno.
Já no meu mais recente estágio, Fundamental II, sexto ao nono ano, foi quando senti o primeiro incômodo.
Num dia na sala do oitavo ano começaram a me chamar de tia e me senti no dever de corrigi-los, educada e gentilmente mas sem argumentos acadêmicos. Pois não os tinha.
Na ocasiao pensava ser contraproducente para os alunos dessa série ainda trazerem da bagagem antiga essa nominacao. Tia.
Além das salas de aulas, aqui no Brasil, nas ruas e por desconhecidos, é comum as mulheres serem chamadas de tia. Isso me exaspera.
Adolescentes, homens jovens e maduros, me chamando de tia. Desconfortável demais. Invasivo. Desrespeitoso. Inadequado. Tolo.
Nas ruas quando sou chamada assim, as vezes até por atendentes em lojas, ignoro. Não vou repreender alguém por isso. Apenas quando percebo abuso.
O fato é esse 'tia" se descaracterizou. E não percebo nenhum movimento que tente melhorar isso. Ficou super aceitável. Menos para Dona Ida.
Dona Ida era, e ainda é, se nao faleceu, esposa do Dr. Renato, de quem fui secretária de 1987 a 1993.
Ficamos amigas e por muitos anos nos víamos anualmente, e algumas vezes em nossas conversas ela mencionava seu desconforto com o "tia" da forma como vinha sendo massificado.
Isso ja há alguns bons anos atrás.
Imagine agora, em pleno 2025, e isso persevera: o inapropriado "tia" sendo usado de forma inconveniente, inadequada e sem relevância alguma fora do ambiente familiar.
O fato é que quando tomei conhecimento do livro do Paulo Freire, aliado à minha vivência em sala de aula com a ingerência desse "tia" como se fosse a coisa mais normal do mundo em substituição ao professor(a), decidi que quero esse tema para o meu TCC.
Há algumas regras, no entanto, para se escolher o tema. Precisa ter 4 características principais:.a relevância, viabilidade, originalidade e delimitação.
Como foi dito agora pela Professora nos meus vídeos do Tema 3, precisa ser "relevante, inovador, inédito".
Tenho pesquisado e não encontrei ainda nenhum artigo acadêmico. Apenas um artigo muito bem redigido de um professor, doutor (pesquisei) e que amei.
O que me deixa até boquiaberta é saber que aquele que é considerado grande nome na Pedagogia, recebendo o título de patrono da educação brasileira, escreveu um livro abordando esse tema e ainda em 2025, as professoras sendo chamadas de tia e tudo normal com isso.
Será que as professoras do dia a dia, as que estao longe das pesquisas academicas, conhecem de fato Paulo Freire e leram algum de seus livros? Temo que não. Talvez eu nem estaria aqui falando disso.
Na verdade, nos conteúdos da minha graduação Paulo Freire é muito citado mas não da forma e como a ênfase que lhe dão na mídia quando falam dele.
Já possuo um livro seu mas que ainda nem comecei seriamente a ler, por esses últimos e mais elaborados semestre em minha graduacao.
Ja estou lendo em PDF "Professora sim, tia nao...'. Na pagina 8, mas com muito desconforto lendo no laptop ou celular.
E a leituea de um livro e algo como que sagrado, para mim.
Na próxima semana comprararei no Amazon, já pobre tem que esperar o cartao virar, rsrs. E estou certa que vou viajar por terras encantadas que Paulo Freire me conduzirá.
Apenas não consegui ainda vislumbrar como iniciarei essa trabalho acadêmico. Preciso de um tema. Aprendi que meu trabalho precisa questionar alguma coisa referente ao tema e preciso ser objetiva, certeira e convicente.
Sinto que esse tema é robusto em mim. A professora escreveu que nosso trabalho precisa ser robusto. Precisa nos atrair, ser um tema afim.
Mas como colocar meu questionamento? Qual o título que darei e como vou aborda-lo? Essa temática esta bem borbulhante aqui dentro e ja me vejo dissertando sobre o livro que ainda nem li.
Mas não sei por onde começar.
Meu querido visitante, adoraria te ouvir a esse respeito. Mas sei que não acontecerá assim como nunca nada aconteceu.
Eu sei que certamente algo de brilhante teria para me sugerir e me orientar.
Preciso de um orientador. Mas não tenho vontade de nenhum.
Não tenho um amigo que possa academicamente me ajudar, a não ser a Ruthinha a quem amo. Mas ela é tao diferente de mim, tao sensata e objetiva, passando por um momento crítico de saúde
Tenho receio de sua objetividade me tirar a paixao que me move, do centro dessa minha vontade tão repleta de entusiamo de dissertar sobre "Professora sim, tia não..."
O tempo é curto e não posso ser desmotivada.
Eu não queria um professor frio e distante me orientado. Tenho um primo, segundo grau, doutor em filosofia. Talvez me ajude se eu pedir.
Mas não era isso que eu queria.
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