Quando tomei conhecimento da notícia de que uma brasileira tinha se acidentado numa trilha na Indonésia, preferi não adentrar no assunto.
Já ando com a minha cabeça e o coração tomados por essas guerras, pelos palestinos, pela miséria do mundo, pela nossa política cada vez mais decepcionante, pela nível de educação tão baixo da população brasileira, assim evitei.
O meu estágio não foi só flores, e muito me assustou o nível de desinformação dos alunos, a falta de educação, noções de respeito, empatia. Nossos adolescentes estão muito largados, "desassistidos" (palavra da minha Diretora de estágio). Isso para uma futura educadora é tão desalentador. Cheguei a desanimar da docencia.
Então, meu coração já anda sobrecarregado de tanto peso por conta da minha onscientização do mundo em que vivemos. E quis me poupar.
Mas se fosse apenas isso, tudo menos mal. Porém, além de querer me poupar, umas indagações desumanas visitaram meu coração, como " por quê as pessoas se aventuram a fazer coisas extravagantes, que podem colocar a vida delas em risco além de causar peso no coração das pessoas?"
Pensei na família da Juliana e na dor de seus amados com a situação que a própria Juliana teve participação. E em toda comoção que isso estava gerando.
Comecei a ler sobre a repercussão do caso, as criticas da família com relação ao descaso com o resgaste, tanto por falta do governo indonésio e brasileiro.
Até me deparar com uma postagem da Beta Bastos no X.
O texto falava sobre suas impressões quanto a desumanidade das pessoas que ao comentarem a situação diziam que a Juliana não deveria ter feito essa trilha, colocando sobre ela a culpa do acidente, entre outros comentários.
Então olhei para mim. Também questionei as razões de Juliana ter escolhido realizar um turismo de alto risco, próximo de um vulcão e as possiveis consequencias não avaliadas , o "trabalho", que seu ato causou.
Ao ler Beta Bastos tomei ciência sobre o papel do Itamaraty, entre eles de apoiar o cidadão brasileiro em qualquer lugar do mundo cuidando de sua segurança. Beta Bastos é advogada.
Eu não sabia disso. Ignorância minha. E a postagem da Beta deu uma feroada na minha alma.
Então comecei a partir daí a me preocupar com Jualiana, de inserir ela nas minhas orações, de pedir a Deus para ajuda-lá naquele despenhadeiro a não se sentir só e nem desamparada.
Me preocupei de verdade com Juliana. FIcava olhando sua foto sentada no desfiladeiro e imaginava seu coração aflito, as dúvidas que passaram por sua alma, os temores do seu coração, e talvez um sentimento de Culpa e arrependimento.
Desejei e esperava que ela fosse resgatada. Mas não sem antes ter passado o meu coração pelo crivo de uma consciência e alma visitadas pela postagem da Beta.
E ainda há quando quando li a noticia de que encontraram seu corpo inerte e sem vida, meu coração doeu.
Uma mãe, um pai, uma irmã, ficaramsem sua amada. E eu aqui triste pois precisei que alguém me acordasse para uma umanidade que ainda está longe de mim, por mais que me ache legalzinha.
As minhas orações, a minha empatia, nao teriam salvado Juliana. Penso que ela teria mesmo morrido pelo grau de perigo de sua queda e dias naquele vão. Mas a minha oração teria me feito mais humana e gentil.
Não se iluda.
Não podemos ser melhor do que somos sozinhos. Sem um espelho. Nosso coração não é o melhor do mundo e nem nossa consciência mais justa porque somos bons, caridosos, acreditamos e oramos a Deus.
Que Juliana descanse em Paz e que essa mesma Paz possa habitar os corações de quem a amava.
Ainda assim, eu continuo crendo que devemos ter mais amor por nossas vidas e de quem amamos. Que nenhum sentimento de viver o inexprimível, aventura e prazer, deveria ser mais forte do que o de cuidado para com nossas vidas,.o zelo próprio e de quem nos ama. A vida não tem que ser um exercicio cheio de emoções e desafios que nos sobressalta, para nós sentirmos vividos.
Afinal, quando partirmos nada sofreremos, mas quem fica nunca mais será o mesmo.

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