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~Ainda sobre~

 Ainda tomada pela morte da Juliana.

Os comentários do X um absurdo de acusações, lamentações e endeusamentos.

Uma cena que não me deixa é dela sentada mexendo em sua bolsinha passivamente. Uma imagem que seria doce se não tivesse k carimbo doido da morte. Quanto mais uma morte envolta em tantas especulações.

Tentei encontrar respostas para uma inquiricoes minhas. A da responsabilidade dk governo brasileiro. Teria ocorrido omissão do nosso governo?

Li dois comentários que me fazem crer que não.

Muito se fala no envio de um avião da FAB para enviar equipe de resgaste, mas um único comentário falava que a Indonésia fica numa ilha e não tem aporte para um aviao da FAB, AP apenas jatos pequenos e helicópteros. 

Assisti um vídeo do Pr. Henrique comentando sobre o acompanhamento do governo junto ao governo indonésio. A mãe da Juliana congrega na igreja do pastor.

Embora os comentários nojentos dos bolsonaristas culpem o governo, e isso não é novidade,  no meu parco entendimento entendo que a responsabilidade da omissão de socorro foi do governo indonésio.

 Pouco caso. Se tiveram um drone para localizar Juliana, um doce poderia ter levado roupa, agasalhos, água e comida para ela. Li também. Faz sentido.

Penso que frio, fome, desespero, tudo se corroborou para sua morte.

Assisti uma parte do vídeo de Biazita Gomes lamentando a morte e explicando umas questões que não havia pensado.

Biazita Gomes, do X, é fera.

Em seu vídeo atribui maior responsabilidade ao governo indonésio, mas culpa também as agências de turismo por oferecerem pacotes de turismo sem critérios. Nem Assisti todo mas gostei disso.

Só que também, eu como mãe, questiono o nosso papel de pai, mãe, perante nossos filhos.

Juliana tinha 26 anos. Essa idade é nada. Não sabemos nada da vida aos 26 anos. Somos ainda bebê diante da vida. Por mais independência financeira que tenhamos. E parece que isso era uma realidade na vida de Juliana. 

Nas redes sociais é tida como publicitária e mochileira. Ou seja, era uma mulher esclarecida e acostumada com viagens assim. Viajava pela Asia desde fevereiro como mochileira.

Com tantos lugares paradisíacos e com trilhas como escolher um país num continente tão distante?

Há uma postagem assim.como vários comentários exaltando a coragem de viver de Juliana. Teve uma matéria que ainda enfatizou que Juliana deve ser lembrada como uma pessoa que "teve a coragem de viver seus sonhos".

Temos uma tendência de romantizar o que nem sempre deveria ser romantizado.

Não é hora de culpar Juliana, embora a responsabilidade sobre nossas escolhas sejam unicamente nossas,  mas nem todavia de romantizar sua morte.

Deveria ser uma hora para se falar com seriedade sobre turismo, sobre mochileiros, e sobre quem fica em casa orando, torcendo, para que nada de errado. Pois pode dar. Falar sobre esse mundo que endeusa certos emponderamentos. 

Eu como mãe, me pergunto, como eu faria se um filho meu resolver fazer turismo por trilhas num pais como a Indonésia?

Primeiro eu elencaria sobre o país em si, sobre as tantas vezes que ouvimos notícias  de pessoas presas com drogas e condenadas a morte. Falaria da saúde, do regime do governo, da inacessibilidade. 

Iria pesquisar tudo e se não conseguisse falar verbalmente, Gabriel as vezes não me deixa falar, diz que sou agorenta (quando tento dissuasi-li de algo), escreveria no zap, no email. Mas ia compartilhar meus receios. 

Não falo baseada nos pais de Juliana, nem os conheço,  seria uma insana conjecturar sobre isso, mas falo na minha condição de mãe é de como tenho visto os pais se cursarem diante dos desejos do filhos, como se fosse a coisa mais sensata e legal de se fazer.

Não somos amigos de nossos filhos, somos antes de tudo alguém que deve zelar por eles. Cuidar deles, tentar direcionar, tentsr faze-los cônscios do mundo, da vida, mesmo correndo o risco de parecer invasivos.

Meu Gabriel já tem 30 anos,. independente financeiramente mas mora comigo, enquanto morar comigo me sinto no direito e dever de alertar dos perigos que se transvestem de uma realização de um sonho, de uma possível coragem de viver a vida.

Juliana tão nova, tão cheia de vida e foi-se. Que dó. 

Eu dobro meus joelhos todos os dias pedindo a Deus pela vida do meu filho. Mas peço a esse mesmo Deus que me dê coragem e ousadia de conscientiza-lo sempre que vislumbrar uma sombra de perigo em seus passos.

A escolha sempre será dele, mas o orientar, o zelo, deve ser sempre meu.

"Ter a coragem de viver seus sonhos" não deveria ser uma epígrafe para a vida de ninguém. Pois alguns se transformam em inenarráveis pesadelos.


(ainda não se esgotou a busca para entender a partida da Juliana. Visitei seus perfis no Instagram e entendi que sua vida era assim. Intensa e de viagens pelo mundo. Não tinha freios, sua intensidade era galopante. Penso na sua mãe e nessa dor, que será sempre uma ferida sem refrigerio.)

(Será que Juliana nao teve um amigo para lhe dizer : não vá para essa viagem sozinha? Pois li que ela foi só e lá contratou um guia.) 







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