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🌷Nely🌷

Ela se foi.
Na noitinha de 5 de junho.
Câncer  nos dois pulmões.

No início um cancer de pele alguns anos atrás.
Ha quatro ou mais anos, foi ramificando até chegar aos pulmões.
Com um tratamento de primeiro mundo com seu excelente plano de saúde conseguiu prolongar saudavelmente seus dias.

Deade o início deste ano, contudo, sucessivas internações por conta de sodio baixo e pneumonias foram enfraquecendo seu corpinho já frágil.

Sofreu bem nesses ultimos meses.
Mas partiu serenamente segundo relatos no leito do hospital e cercada pelos filhos.  Chegou a se despedir  de cada um individualmente  e pediu perdão por alguma falha. Pedido que se nao se justificou pois foi uma mãe  excelente e devotada. Não havia o que ser perdoado. Muito pelo contrário.

Mãe, mãe, é  sempre assim. Sempre se sentindo devedora, achando que pode dar um pouco mais.

Como irmã  posso dizer que foi espetacular figura materna.

De quase nenhum estudo, mas de uma elegancia e fineza ímpares e impactante, foi sempre um exemplo para mim.

Muito cedo conheceu a dureza dos trabalhos domésticos, ainda menina,  em casas de familias pomposas e do afastamento famíliar e que lhe rendeu grandes mágoas  amenizadas (mas nao esquecidas) pelo tempo e a vida adulta  realizada como mãe.

Nely, 78 anos.

Eu a reverenciava como icone de elegância, suavidade, candura, doçura.

Aos 15 anos tive o prazer de viver por um ano em sua casa, no Meier. Nao sei e nem me lembro porque meus pais deixaram que eu fosse para sua casa no Méier.

Já  estava com o colégio  arrumado para. estudar, o ADN,  e certamente teria me formado em Odontologia.
Pois seus 4 filhos são todos formados e bem empregados. Mas esse meu romantismo de ser me fez esquivar de uma vida farta e regada para voltar a viver na minha velha casinha em Queimados e sem perspectivas.

A minha vidinha simples de outrora me cativava e encantava mais do que todas as seduções de uma vida opulenta a que tive acesso durante aquele um ano no Meier, com minha irma Nely e meu cunhado turco maravilhoso Abrahim.
Mas as vivências e aprendizado   a que tive acesso sempre foram motivo de eterna gratidao a minha irmã Nely.

A ultina vez que estivemos juntas foi em 2017, no aniversario da Neuzinha em maio.
E até agora dói em mim não te-la visto mais desde então.
Eu nao podia ir até onde ela estava, e embora fosse mais fácil o seu acesso  até  a mim, por razoes que ela levou consigo desde a morte de minha mãe, em 2006, que ela não voltou a casa de nossa mãe, lugar que chamo de lar, meu doce lar.

Fico pensando os motivos que levam irmãos  a nao se verem quando podem se ver.
Por que somos tao diaplicentes e indiferentes ao amor dos que nos amam?

Como podemos dizer que amamos um irmão se não ha em nós um menor gesto de estar juntos?

De que serve um amor dito se negamos o toque, o abraço, o beijo , o carinho?

Eu nao consigo entender e ver qualquer validade num amor assim.
Que não rompe fronteiras.
A comecar as das nossas convicções.

Bem, a verdade e que minha irma partou e eu aqui partida pelos abracos que nao lhe dei. Embora eu tivesse limitações e compreensíveis, eu nao me esforcei em romper as fronteiras, acreditando que ainda teria tempo.

Minha irmã linda, um grande beijo e que vc esteja bem e feliz na terra dos encantados e até  um dia.


(te falei eu te amo algumas vezes por telefone, mas podia ter encontrado mais tempo de falar pessoalmente.)


Fui no seu enterro, e beijei sua fronte rígida,  fria e se vida.
Mas do que valeu se vc nao pôde sentir meu calor?

Perdoa-me Senhor pelas tantas vezes que fui tao puro desamor em familia e fora dela. E ajude-me a nao cometer mais esse pecado.












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