"Emoção de lidar", é a expressão utilizada pelos colaboradores e frequentadores da Casa das Palmeiras para se referirem à Terapia Ocupacional aplicada aos seus Clientes, no processo de reabilitação com o seu mundo exterior.
E agora a noitinha ao chegar aqui na minha casinha, em jegue-jegue (como dizia uma coleguinha de trabalhos há uns 20 anos atrás) que tanto bem me faz, e que me foi imposta (desde janeiro) a condição de ficar mais ausente durante a semana por conta das minha terapia ocupacional para reabilitaçãodo meu braço na ABBR, é que foi possível entender que um tanto de minha apatia (que falei hoje aqui) se deve também a essa distância.
Aqui nesse meio universo tão rico de atividades, sons e cores, é que encharco minha alma de emoções. Pincipalmente a "emoção de lidar". Porque a emoção que de fato conta, marca e alimenta a alma é a que vem dos sentidos que palapam, a que emoldura nosso ser.
A "emoção de lidar" requer movimento, por menor e mais precário que seja. Requer uma cumplicidade, uma parceria,uma reciprocidade. Um dar, um receber, ainda que seja apenas de você para você.
Uma boa leitura, um bom livro, uma boa análise, uma boa meditação, tudo que seja bom mas que não envolva pele e tato, perde em realização.
Quantas viagens fazemos na imaginação, que depois que partem não deixam sensações quando tentamos trazer a tona novamente.
Imaginar não é sentir. Imaginar é idealizar, só enfeitar. Sentir é tocar. E se confundem e nos confudem.
(Não confundam esse sentir como o sentir do amor, que é outra história, uma coisa complicada mas que não se explica, porque se explicar já não é amor {pode ser qualquer outro sentimento} como dizem os poetas)
Aqui tenho o que fazer, pra onde ir. Meu território onde faço e desfaço. Onde cuido das minhas plantas, das minhas coisinhas. Onde cozinho. Onde gasto e me desgato. Onde me canso e descanso. Onde nada acontece se não vier de mim. Onde literalmente tenho que me manter de pé, caso contrário nada acontece, nada flui e reflui.
Aqui tudo é flores.
Aqui eu aconteço, porque aqui é o território do meu ser. Onde encontra razão apaixonada de ser. Aqui tudo tem meu perfume. E a nossa alma precisa de perfume que criamos para manter acordado os sentidos.
O mérito não está no lugar físico, mas no espaço que se tem para ser. E esse espaço é a liberdade do ser.
Não sei se me expliquei, mas feliz por ter me reencontrado hoje com as palavras. Ainda que só possam fazer sentido para mim.
Que bom voltar a escrever minhas bobagens, tão deliciosamente convincentes a mim mesma.
Amanhã talvez ao sair daqui volte a apatia, mas amanhã é outro dia e a gente arranja uma bobagem mais convincente ainda.
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