Gosto muito da Trilha que acompanho pelo GR. O que mais gosto lá é da linguagem sensível e simples de Tuco Egg. Esse texto está tão lindo e verdadeiro que resolvi trazê-lo e quem sabe uma hora dessas eu resolva deixar aqui minhas impressões sobre os mesmo. Até tentei comentar lá, mas deletei meu comentário. Ainda prezo meu anonimato virtual.
Correndo o risco de ser taxado de machista e retrógrado, quero abordar uma questãoq que há muito tempo vagueia no enorme vazio da minha cabeça oca. Acompanhe o raciocínio e diga se não faz algum sentido pra você. Obviamente a opinião interessa especialmente se for vier de alguém do sexo feminino.
A mulher, que por décadas lutou para ter a liberdade de fazer tudo que o homem fazia, é hoje prisioneira da obrigação de fazê-lo. Deixou de ser oprimida pelo homem, para oprimir a si mesma. Quando conquistou merecidos direitos, quando libertou-se da imagem de inferior, lançou sobre si a carga de provar que pode ser superior. Não bastou-lhe a liberdade, quis assumir o papel de seu opressor e hoje já não é difícil encontrar por aí, nos corredores de grandes corporações ou no volante de carros esportivos do ano, mulheres transfiguradas no mais canalha dos homens, desfrutando altivamente de toda arrogância e ganância que antes lamentava ver no macho.
As que não chegam tão longe, vêem-se na obrigação de pelo menos caminharem na mesma direção, sob a pena de receberem o mais humilhante de todos os rótulos: donas de casa. A função que antes era menosprezada pelo homem dominante e toda sua babaquice, é hoje desprezada pela própria mulher. Assumir esse posto é a mais vergonhosa humilhação porque a mulher abraçou de corpo e alma a visão de mundo que embaçou os olhos da humanidade: só é gente quem produz, quem está inserido no mercado de trabalho, quem participa da roda viva da produção e consumo.
A igualdade da mulher permitiu-lhe submeter-se por livre e espontânea (e comemorada) vontade às exigências de um novo e cruel senhor - o mercado. Chegará o dia em que ela olhará para trás com saudades daquilo de que abriu mão. Um vislumbre desse dia, aliás, sempre chega quando o primeiro filho é deixado na creche, aos 4 meses de idade, às 7 horas da manhã, e permanece pulsando violentamente até o fim de cada dia, quando já noite a criança volta aos braços da mãe.
E agora, quem aguarda o retorno do cansado provedor no fim de cada tarde, não são mais crianças eufóricas e saudosas e o cheiro de um bolo de fubá quentinho, mas o eco de uma casa vazia, porque os provedores são todos e as crianças já não param mais em casa.
Haverá quem grite de uma cadeira nos fundos - mas a mulher precisa trabalhar para aumentar a renda da família, já que a renda de um só, na maioria dos casos, não dá conta do recado. Talvez seja bom lembrar que o excesso de mão de obra disponível hoje é um dos motivos que fez a renda individual cair. Porque há muitos profissionais à disposição, paga-se menos a cada um. Por pagar-se menos a cada um, é cada mais mais difícil um casal sobreviver com a renda de um só. É, portanto, cada vez mais imperativo que ambos trabalhem fora, o que evidentemente faz com que haja muita mão de obra disponível.
A roda gira. E que ninguém pare na frente porque ela passa por cima.
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