Dormir.
Estou com uma brutal insônia.
Já me deitei bem tarde, mas meus pensamentos estão bem febris.
Preciso acordar às 4hs.
Vou tentar uma consulta na Santa Casa. Lugar que não compareci uma única vez no ano passado. A cirurgia me impediu. Depois a convalescença que demorou bem. E por fim o medo de andar pela cidade do Rio de Janeiro sem o dominio da minha perna.
Não posso correr, não posso andar depressa é a cidade depois da pandemia, ficou bem devastada.
Tentaram enfeitar com aquele VTL, mas onRio está sombrio e fiquei com medo.
Voltei a São Conrado sem tanto medo pois lá andar não seria muito problemático. Trecho pequeno depois da saída do metrô até o apto da Amelinha.
Já no Rio, tenho que andar pela Cinelândia e afins, até chegar no Castelo. Um lugar que na década de 80 quando lá trabalhei, era um lugar de luxo.
Agora é meio que lixo.
Além do medo, as notícias sobre a saúde da Ruthinha e o meus medos próprios quanto a minha.
Desde semana passada o câncer voltou a inquietar meus pensamentos.e peguei conversa do com Deus sobre isso e chorei. E disse ao meu Senhor que se eu estiver com essa doença não vou pedir para me curar. Enfrentarei meu destino. E chorei.
Minha irmã Nely teve câncer de pele por muito tempo. Tratou da melhor forma possível. O câncer ia e vinha. Até que tomou seu corpinho frágil e alcançou os pulmões.
A família do meu pai tem histórico de câncer.
Meu lúpus está muito ativo e lesões coçam bem. Estou me incomodando agora. Até na cabeça. E nisso reparei numa ferida já com casquinha no meu couro cabeludo. Aliás, senti no dedo a lesão.
Sem sono fui pesquisar o câncer de pele. São feridas diferentes do Lúpus. Mas agora fui no banheiro enokhei o rosto e uma pintinha perto de uma lesão do Lúpus me olhou.
Nunca tive esse sinal mas ele apareceu já tem dias mas deixei para lá. Só que agora vendo as manchas do câncer de rosto, vi que podem começar com pintinhas.
A falta de sono é assombrosa. Faz um cozido de pensamentos ruins na cabeça da gente. E eu com minha tendência a fazer drama, ajuda muito.
Daqui a pouco tenho que acordar e com receio de não ouvir o alarme tocar. Serão dois a me acordar. Se um falhar, o outro logo depois deve me acordar.
Tenho que ir de trem. E a melhor condução para a cidade quando a gente precisa chegar cedo lá. Mas o incomodo é que vou em pé ou de pé, nunca lembro da diferença na hora que preciso utilizar, e isso me causa dor na perna.
O mais absurdo em mim é que entro no trem e me coloco perto da porta, meio que escondida, para não constranger as pessoas que estão sentadas. Tipo assim, ficar na frente para deixar a pessoa incomodada com minha pessoa de muleta.
Por mais absurdo que possa parecer fico me sentindo como se me colocasse bem visível para pedir lugar.
Semana passada fiquei encostado há na porta e durante a viagem 4 passageiros desceram e outros sentaram. Aí pensei : se eu não tivesse essa bobeira de constrangir as pessoas já poderia ter me sentado.
Só quando o trem já mais vazio chegando em São Cristóvão um lugar vagou um pouco longe e o moço me chamou para sentar. Aí do meuado também vagou e agradeci mas sentei no mais perto.
Então escutei o moço do lado falando que não percebeu que eu estava em pé. Pois eu manco um.pouco quando ando e ainda de muleta fico com uma imagem mais debilitada. Não é legal isso de causar meio que pena.
A bengala é necessária. Sinto que não estou só fisicamente.
Semana passada na Av. Presidente Vargas quando voltava da Rio Imagem e aon tentar atravessar percebi que ia dar tempo. Tive que subir para a calçada que era muito alta e tropecei, só não cai pó conta da bengala.
Um homem vinha da outra pista e olhou para mim e deu um sorriso do tipo meio penalizado. Então perguntei se ele podia me ajudar a atravessar a pista quando o sinal fechasse. Respondeu que sim. Só que quando fecha o sinal de uma pista , abre de uma outra pista transversal e necessariamente a pessoa tem que atravessar tipo que correndo.
Não é terrível. Mas não é fácil.
A Mary Louise Von Franz é quem me inspirou a voltar aqui e escrever sobre esses meus pensamentos agora. Pois lembrei de sua participação no Livro ~ O Homem e Seus Símbolos ~ quando nos diz que ~o pensamento perde a força quando é externalizado ~🌹
E agora com o pensamento já fraquinho e sonolento sei que posso dormir um pouco.
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