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As vezes

Deixo hoje meu bloguinho  agradecida pela oportunidade de ter sido carinhosamente abraçada por Edward Elgar e seu belo Nimrod.
As vezes tudo que a gente precisa é só um abraço. Bem apertado e que não tenha pressa de ir. De se soltar. 

E ao pensar que um amigo também é todo aquele que infunde ou suscita algo de bom nós  - ainda que como aqui em que falo  de Escritores e Compositores, e assim considero Edward Elgar um amigo. E isso me faz lembrar de uma crônica do sábio e sereno Artur da Távola que fala exatamente sobreo tema   intitulada  Amigo (acho) e fui procurar. 

Não encontrei mas li essa lindíssima.
Não tenho só o sábio e sereno escritor como  amigo nesse contexto. Acho que só tive dois tão inspiradores  mas cabe-agora  falar desse.
Caríssimo Artur da Távola: minha eterna  alegria pelo encontro. Por mim, por Jung que conheci  em meio as suas Cronicas e do  Quem tem Medo da Música Clássica



Nosso Mundo - Literatura



Órfãos do Amor

       (Gentilmente cedida por Artur da Távola para o

                      Armazem de Sonhos

              e o Sonho Digital )







Fico a pensar em todas as pessoas que estão trilhando o doloroso caminho da descoberta dos impasses com o ser amado; todas as que
estão descobrindo defeitos, desencontros, impossibilidades de
encaixes e de suplementação nas relações. Penso nos que estão
  tentando gostar já não mais conseguindo. Sofro com os que colocam flores e esparadrapos na própria decepção ou no cansaço
   de suas relações rotinizadas, robotizadas, endurecidas,
                     cristalizadas, congeladas.
                                
   Imagino a mulher se descobrindo em plenitude e liberdade diante
           de um homem que a desejava passiva e submissa.
                                
      Penso no homem aberto e idealista, descobrindo as ambições
 burguesas e meramente de status ou segurança da mulher, num mundo de
                 injustiça social e tanto por fazer.
                                
    Imagino a constatação dolorosa da afinidade sexual que já não
                          chega ou se vai.
                                
       Sofro com a convicção crescente de que o impulso de amor
      anterior não foi substituído por sentimentos verdadeiros.
                                
                   Corroo-me do ácido do desamor.
                                    Sangro com os ódios surgentes como face oculta da relação antes
                              amorosa.
                                
    Rasgo-me com as descobertas dolorosas de que o antes amada é a
                  antítese, o oposto, o outro lado.
                                    Padeço com a diferença do ritmo de evolução abatendo-se sobre os
         amantes do meu bairro, do meu país e do meu mundo.
                                
      Vejo andamentos e aquisições vitais diferentes a motivar o
     desencontro entre tantos amores antes parecidos possíveis.
                                
   Para onde vai toda essa energia amorosa que se acaba, diminui ou
   deriva? Em que jardim moram os momentos de amor impedidos pelas
diferenças entre os casais? Como encontrar o potencial amoroso
  que se recolheu, derivou, foi introjetado ou projetado num filho, numa causa nobre ou numa profissão? O mundo está cheio de
órfãos do amor quase possível. A cidade inteira está chorando pelos amores jogados fora. Como não são biodegradáveis e não se
  dissolvem, esses amores estão por aí ganindo nas noites ou escorrem, melífluos, do olhar carente da gente que passa na rua.
      Sim, há milhares de olhos mendigos pelas ruas. Eles estão
chorando pela perda da possibilidade de ter dado certo. Eles também me
                       assaltam, desesperados.
                                
                                
                                
                           Artur da Távola
                                
               Secretário da Cultura do Rio de Janeiro




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